sábado, 20 de abril de 2013

A magia de Shakespeare em "A Tempestade" (1611)

Xilogravura de Próspero, o Mago, sua filha
Miranda e o monstro Calibã.
Fonte desconhecida.
Uma das minhas opiniões no que toca a transição paganismo-cristianismo, na qual já tive a oportunidade de escrever mais uma vez aqui no blog, está vinculada à noção que as representações artísticas ao longo da história serviram como um “fio” de ligação do paganismo do mundo antigo, passando pelo medievo e pelo moderno até chegar aos dias atuais. 

Aqui, a arte como pintura, escultura, literatura e também como teatro. Nesse último sentido, penso que Shakespeare é o melhor autor para demonstrar isso. Já falamos sobre o Sonho de uma Noite de Verão e Macbeth. Falemos agora de A Tempestade.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Sobre um "purismo" no neopaganismo.


Aqui, Oferenda de Verão de Alma-Tadema. Esse pintor
é conhecido por retratar cenas do cotidiano da antiguidade.
Se não soubéssemos disso, poderíamos confundir essas
mulheres e suas oferendas com mulheres do mundo
contemporâneo? Seriam elas pagãs ou cristãs?
E ainda assim, isso faria alguma diferença?
Ao longo dos dias que envolveram o feriado da Páscoa pude observar um certo comportamento nas redes sociais que, confesso, me deixou um pouco incomodado: o compartilhamento constante de imagens e frases que faziam referência às origens pagãs da celebração que é popularmente conhecida como uma festa cristã. Até aí tudo bem, afinal, de fato praticamente todos os feriados religiosos cristãos tem sim, indubitavelmente, uma origem no paganismo antigo. 

Mas isso seria motivo para desqualificar as expressões cristianizadas dessas festas? Será que uma celebração religiosa, por ter sido “pagã” séculos atrás, deve ter a sua face “cristã” desconsiderada? Me pergunto se esse tipo de mentalidade não reflete um certo sentimento de “purismo” no paganismo contemporâneo.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Bruxa como camaleão.

Aqui, Mulher Morcego de Albert Joseph Pénot.
O morcego está associado a noite, a escuridão
e as trevas, enquanto que a beleza, pálida e
humana da mulher faz referência justamente
ao oposto disso. Aqui, a Bruxa que oscila entre
a Luz e as Trevas. 
Sempre gostei muito dos contos de fada e hoje, mais velho, ainda penso neles, mas os observo com outros olhos. Não é com dificuldade que encontramos nessas lendas aparentemente tão rasas, verdades muito profundas. Se pararmos para pensar, sempre veremos a bruxa como uma velha reclusa do resto da aldeia. Geralmente solitária, ela se isola – ou é isolada – do resto da comunidade e lá continua operando suas artes “maléficas”. Mas ainda assim eventualmente é procurada para resolver certos conflitos dos homens comuns e frequentemente serve como uma importante auxiliar, mediadora ou desafiadora, da jornada do herói. 

E além de transformar, a bruxa também tem capacidade de se transformar. Nas lendas medievais a bruxa tinha o poder se metamorfosear em certos animais como lobos ou corujas até chegar ao sabá. Aqui no Brasil as bruxas se transformam naquele tipo de borboleta noturna, e se quando vistas dentro de casa, geralmente são tidas como sinal de mau agouro. A bruxa da Branca de Neve se transforma, ora em bruxa velha e feia, ora em uma bela rainha. A bruxa da Pequena Sereia também se transformou em humana e roubou a voz de Ariel certa vez. A feiticeira Samanta, do seriado norte-americano Bewitched dos anos 60 e 70 podia se transformar até em objetos domésticos. Mas e quanto aos praticantes da vida real, da bruxaria como um ofício de verdade? 

quarta-feira, 27 de março de 2013

O feitiço certeiro para resolver todos os seus problemas.

Detalhe de Penélope e os Pretendentes (Waterhouse 1912).
Operar feitiçaria movido pelo medo é como fazer a
colcha de Penélope: é trabalho de fazer para ver
desfeito logo depois.
Frequentemente eu recebo solicitações de feitiços. Muitas pessoas sequer sabem exatamente qual o propósito desses pedidos, ou nem sabem exatamente o que é magia ou para que ela serve. 

Muitas vezes quando um leigo, um amigo de um amigo, geralmente imbecil, toma conhecimento do meu estudo e prática da feitiçaria, rapidamente solicita uma “simpatia” pra resolver algum problema. De preferência algo rápido, simples, fácil e certeiro. Nada muito difícil. 

Tal como o título dessa postagem.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Atualização: Livro "Demian", de Herman Hesse.


Depois que conheci a obra graças a indicação de um amigo, Demian do Hesse virou o meu livro de cabeceira.

O livro conta a história de Sinclair, iniciando na sua infância até certo momento da sua vida adulta. Sinclair é um jovem burguês que vive na pacificidade do seu lar, o que metaforicamente o autor descreve como um um "mundo de luz" ou até mesmo "ilusório". Ainda durante a sua infância, Sinclair conhece Demian, um pouco mais velho que ele, rapaz que servirá como uma espécie de guia espiritual ao longo dos próximos anos da sua vida. Ainda que Demian viva afastado do protagonista também por muito tempo ao longo da história, o personagem que dá nome à obra servirá, direta ou indiretamente, como "guru" do Peregrinho que é Demian.

Sem entrar em muitos detalhes para não estragar o mistério da obra, poderíamos resumir, ainda que a grossas linhas, que de forma simplesmente genial, o livro retrata um processo de Iniciação que levou vários anos ao longo da juventude de um Peregrino. Que, a duras penas, aprende a se divorciar do rebanho e viver os seus sonhos por si mesmo, recebendo a marca de Caim na testa por conseguir ser seu próprio assassino - matando, então, o seu Eu profano. Sinclair descobre que ao longo da sua jornada, o "ilusório" do mundo profano tornou-se contrastado com o real do mundo espiritual.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Sobre uma comunidade espiritual.

Aqui, a Luna de Evelyn de Morgan (1885).
Detalhes na cordas e nos nós que a envolvem.
Abri o círculo, apaguei as velas, coloquei a cama de volta no lugar e abri a janela. A minha frente o computador e a minha esquerda a lua cheia brilhante no céu algumas vezes embaçada pelas nuvens, o que a deixava ainda mais bonita ao meu ver. Antes de começar a escrever, me permiti ficar algum tempo observando-a e me peguei pensando em quantas outras pessoas não estariam fazendo o mesmo que eu naquele instante. Noite de lua cheia, noite de esbá, dia de semana... Em um primeiro momento, imaginei que não muitas.

Primeiro, a sensação de solidão. Não tive dúvidas que muitas das pessoas que conheço, pra não dizer todas, estariam dormindo naquela hora. Se acordados, talvez no facebook ou vendo televisão até pegar no sono. Alguém, por ventura, em alguma festa, mas a grande maioria simplesmente dormindo. Fato. A vizinhança em silêncio, nenhum carro passava na rua e até os cães parecem dormir também. E a lua brilhando. As nuvens por vezes se abriam, como cortinas, e eu não conseguia deixar de ver aquilo como um interessantíssimo espetáculo.

sábado, 2 de março de 2013

O Deus Pã visto por um cristão.

Bispo Isidoro de Sevilha retratado por Murillo.
O período que compreende o gradual declínio do paganismo junto ao crescimento e fortalecimento do cristianismo é tido como Antiguidade Tardia. É um período rico e de importante florescimento cultural, pois é nesse instante que o cristianismo perde seus traços orientais e passa a incorporar, cada vez mais, uma identidade ocidentalizada e romana. Ainda que o paganismo seja oficialmente abolido nos primeiros séculos da nossa era, ele persiste, tanto como religião popular, quanto como cultura de elite, letrada e intelectualizada, e vale comentar que foi por essas duas vias que ele chegou até os dias atuais. E é justamente pelos cristãos beberem tanto das fontes clássicas e pagãs, que muito do paganismo antigo que conhecemos hoje só se conservou devido a estes intelectuais cristãos.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Baixar filme Paranorman (2012).


Cartaz da animação. 
Assim como a animação "Valente", indicado ao Oscar de melhor animação, Paranorman conta a história do solitário menino Norman Babcock, que passa a maior parte do seu tempo apreciando filmes de terror e conversando com espíritos, pois sim, ele tem essa habilidade. Poder, inclusive, que o faz ser ridicularizado na escola, sofrendo bullying de Alvin, o valentão, e perder a credibilidade com a sua família que nunca acreditou nos seus dons. É ainda na escola que conhece Neil, o único que acredita na habilidade de Norman de conversar com os mortos.

O garoto é contatado pelo seu tio, Prenderghast, tido com o louco da cidade que também tem o mesmo poder que o sobrinho. Avisa o garoto que deve evitar que se concretize uma maldição lançada por uma bruxa há três séculos atrás. A história, de idas e vindas, tem início nesse momento.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O paganismo do poeta Fernando Pessoa.


Fernando Pessoa nasceu em 1888 e
morreu em 1935, vivendo praticamente
toda a sua vida na cidade de Lisboa.
Quando se fala em paganismo e literatura, é indispensável mencionarmos a importância de Fernando Pessoa. Sabemos que Pessoa era um profundo conhecedor da astrologia – conhecimento que o leva até a conhecer Aleister Crowley, fazendo com que traduzisse o famoso “Hino à Pã” desse autor para o português – e estava vinculado ao movimento ocultista europeu do início do séc. XX. Pessoa se dizia gnóstico e era iniciado na Ordem Templária de Portugal. Sem dúvida é também sob essa bagagem que se fundamenta a obra de Ricardo Reis. 

Reis foi um dos heterônimos de Fernando Pessoa. O poeta teria tido uma formação clássica em um colégio de jesuítas, sendo um estudioso do paganismo e também latinista. Toda a sua obra representaria, então, a herança das artes do mundo greco-romano ao mundo Ocidental. Sua obra é marcada pelo epicurismo (a busca pela tranquilidade, o desapego do medo da morte, a busca pelos simples prazeres da vida e a fuga da dor) bem como pelo estoicismo (as paixões e os excessos são dominados e a noção de a morte é uma extensão natural da vida e não deve ser negada) e também pelo elogio ao bucólico e à natureza. 


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Baixar filme Valente (2012).

Folder original do filme,
da Disney e Pixar.

Diferente de algumas críticas que li a respeito, Valente, ou “Brave” é inovador. A história fala de uma jovem princesa, Merida, que rompendo com as expectativas tanto dos expectadores desavisados da animação, quanto da sua família na ficção, não quer se casar. Diferente disso, Merida gosta de cavalgar sozinha pelas planícies do seu reino medieval (aparentemente uma Escócia celta), tem os cabelos ruivos desgrenhados e se incomoda com o vestido justo que sua mãe, a rainha Elinor, insiste que use.  É difícil não se apaixonar por essa princesa, que usa toda a sua graciosidade não nas danças com os príncipes, mas no seu manejo com o arco e a flecha. Uma princesa um pouco diferente dos moldes clássicos da Disney.